
"O Galo” ou “Olag” como foi chamada pela imprensa. Entende-se facilmente o porquê deste quadro ter causado tanta polêmica à época da exposição e ainda hoje nos causar certo incômodo. Vê-se um galo ao contrário, com pescoço retorcido e uma face disforme. Da sua enorme crista, parece invadir-nos uma profusão vermelha, agressiva em meio ao branco da tela. Não há elementos periféricos, somente a imagem. A meu ver, a sensação esquisita provocada pela obra provém justamente dessa desconstrução do mundo real (aparentemente real). O que parece nos fazer gostar de um quadro é o nível de identificação e as possíveis associações com a nossa vida. Então, como gostar de um que desfaz as nossas imagens pré-moldadas? As imagens das coisas reais, ou as imagens que temos de nós mesmos? Penso, então, que desconstruir não é tarefa fácil, ao contrário (como "olag”) nos causa sim muito desconforto. No entanto, se conseguirmos compreender a imagem, podemos encontrar em cada elemento fragmentado uma maneira adicional de ver a vida e os nossos sentimentos. Daí, a beleza da imagem. Beleza sim! E se, ao acaso, estamos com nosso mundo “de cabeça para baixo”, “de trás para frente”, “de ponta-cabeça” fatalmente nos atraímos, e descobrimos, ao contemplá-la, que nos traímos muitas vezes. Bem, o importante mesmo é que se puderem vejam a exposição e tirem as suas próprias conclusões. Certamente a esta tela não serão alheios!
"O quadro causa realmente muito desconforto, ainda mais se lembrarmos que retorcer o pescoço de um galináceo é uma das formas usuais de matá-lo. O olho do galo de Portinari é o que mais me incomodou. É como se estivesse nos interrogando: O que é realmente o real?"
-Internet
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