Pages

domingo, 16 de agosto de 2009

Shiva e o Curupira

Sem mais delongas, sem introduções, sem apresentações, sem explicar mais nada... saibam que um belo dia ela foi dar uma volta e resolveu vir por essas bandas de cá.
Um belo dia, ela estava afim de diversidade, maluquice, não-convencionalidade. Não queria mais um dia comum, na segura felicidade comum de sempre.
Sendo assim encontrou-se com ele. E com ele,vieram novas fases, novas energias, novas experiências. Visões de vida, prelúdios, lombras... tudo o que ela já havia outrora experimentado, mas agora, de uma maneira diferente, nem mais forte, muito menos mais fraco... apenas, diferente.
Ele também sentiu coisas novas... tomou mais conhecimento e outras opiniões acerca de muitas coisas de sua vida e de seu lugar. Pensou, entendeu, sentiu, gostou, gozou, lombrou, aprendeu, ensinou, riu, riu, comeu, viajou...
Eles viajaram pelas mais profundas riquezas de onde ele morava. Como um guia, ele passou o que sabia do local. Se divertiram sob as estrelas, que ali, eram diferentes.
Dançaram a luz da lua, cantando para o céu da manhã. Conheceram os vales, as caatingas e os cerrados... deram graças, quase se amaram, mas sobre isso, nada se sabe.
Então, ela agradeceu a hospitalidade, desejou o melhor, e quase triste voltou para sua terra, pro seu povo.
Levou consigo o melhor dele e prometeu que voltaria.
Disse que quer ver o mar daqui de novo... achou bonito.
Do rapaz não se teve mais notícia também. Sumiu, deixando suas pegadas no chão por onde passou.
No final, o que importou foi o encontro.






domingo, 31 de maio de 2009

Venham!


O galo que de cabeça fez história. Em suas contempladas visitas ressonantes a mente, acompanha-vos de grande ardor.
Seja bem vindo, camarada.
A cabeça está feita, o galo agora já cinza.
Das posições comfortáveis suspensas por um triangulo simétrico. Do indagável não belo, beleza?
Das conformações de ideologias, do simples tocar...
As idéias do galo coletivo, a sonoridade da miscigenação ritmica armonica ionica e o escambau.
Do afro-groove regado a psicodélia indiana, arco-íris redobrados em espirais multi-coloridas..
Distorcendo o tempo atual, recolhendo presentes passados, inspirações de todo o mundo. O galo é mundial, dos vizinhos a origem. Tá tudo na cabeça do galo...
Tudo nas cabeças das cabeças do galo.

Por: Wonda Kulapo

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O Galo, Olag, O Olho, Cabeça de Galo( Portinari, 1944)



"O Galo” ou “Olag” como foi chamada pela imprensa. Entende-se facilmente o porquê deste quadro ter causado tanta polêmica à época da exposição e ainda hoje nos causar certo incômodo. Vê-se um galo ao contrário, com pescoço retorcido e uma face disforme. Da sua enorme crista, parece invadir-nos uma profusão vermelha, agressiva em meio ao branco da tela. Não há elementos periféricos, somente a imagem. A meu ver, a sensação esquisita provocada pela obra provém justamente dessa desconstrução do mundo real (aparentemente real). O que parece nos fazer gostar de um quadro é o nível de identificação e as possíveis associações com a nossa vida. Então, como gostar de um que desfaz as nossas imagens pré-moldadas? As imagens das coisas reais, ou as imagens que temos de nós mesmos? Penso, então, que desconstruir não é tarefa fácil, ao contrário (como "olag”) nos causa sim muito desconforto. No entanto, se conseguirmos compreender a imagem, podemos encontrar em cada elemento fragmentado uma maneira adicional de ver a vida e os nossos sentimentos. Daí, a beleza da imagem. Beleza sim! E se, ao acaso, estamos com nosso mundo “de cabeça para baixo”, “de trás para frente”, “de ponta-cabeça” fatalmente nos atraímos, e descobrimos, ao contemplá-la, que nos traímos muitas vezes. Bem, o importante mesmo é que se puderem vejam a exposição e tirem as suas próprias conclusões. Certamente a esta tela não serão alheios!

"O quadro causa realmente muito desconforto, ainda mais se lembrarmos que retorcer o pescoço de um galináceo é uma das formas usuais de matá-lo. O olho do galo de Portinari é o que mais me incomodou. É como se estivesse nos interrogando: O que é realmente o real?"

-Internet

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

O Vinho

Agora um pouco do Blues. Sim, definido como O Vinho por nós. Se o Jazz é o alimento, o blues é a bebida. Ambos andam juntos, caminham, mas aqui vou explanar apenas o líquido.
Creio que alguém que acha a mistura certa entre blues e a cultura nordestina será bem aventurado. Ambos tem suas raízes seguras na cultura africana, ambos tem condições sociais parecidíssimas, ambos tem ambientes que possibilitam a inspiração em temas parecidos. O verdadeiro forró, aquele o qual nem conhecemos, fala também de tristeza, de amores, decepções. Tem seus constumes sombrios e arraigados num folclore macabro. Igual ao blues. Falo também do verdadeiro blues... do Mississipi...
Um velho sentado em frente a sua casa, fumando seu fumo, deitando na serenidade de sua sabedoria, mostrando mãos caleijadas e sofridas, cercado por uma belíssima paisagem, numa linda noite, com todos os sons de ums sinfonia de pequenos animais. O ranger da cadeira de balanço, o cheiro do café, o brilho de sua negritude reluzindo a luz da lua.
De onde é esse quadro? Do nordeste brasileiro? ou do "nordeste" americano? Dificílimo dizer!!!!
Por isso acho o blues tão puro. Se combinado da maneira certa com o baião, o forró ou o chote, dará a luz a algo demasiado especial.
Encruzilhadas, pactos, contratos, almas, tocadores, cancioneiros... a mesma coisa!!!
Um bom vinho merece ser bem degustado, bem apreciado. Essa música merece respeito, pois é ancestral. Cultura que sobreviveua tudo e continua demonstrando sua força. Arrastando as memórias dos homens de nosso passado até hoje. Viva a cultura de um povo! Viva a arte de misturar culturas, línguas e regiões, através da música.

Vocês já tem o pão e o vinho na mão, depois falarei do prato principal...
até lá, um brinde!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

O Mago

Acabei de deixá-lo em casa. São e salvo das paranóias de onde viemos. Provavelmente vai apenas deitar na cama e ficar desenhando coisas na parede, nas últimas tentativas de salvar o resto de seus pensamentos, que aliás, hoje... foram mais uma vez brilhantes!
É o único que conheço!
Único!
Perigosamente desejável por perto. Tem a instabilidade de uma estrela, por quê é!
Por mais um dia nos encontramos com o tal Acapulco Gold, o facilitador dos facilitadores. Ainda escreverei sobre ele aqui.
Por mais uma noite tocamos divinamente... pra ninguém ouvir. Dessa vez até tínhamos uma platéia. Composta por três rapazes que nunca estão conosco e nenhuma moça.
Por mais algumas horas saímos do tempo... o musical e o real, e nos divertimos, mais uma vez, apenas jogando fora e disperdisando aquilo que eu chamo de o mais precioso dos tesouros: a criatividade!
Há dois anos atrás, éramos só eu e ele. E, embora a fúria dos gigantes que decidimos seguir não tivesse sido completamente mostrada pra nós, eu podia sentir que nossa fúria iria combater a deles.
A criatividade que se busca nesse mundo, não tem preço! Está lá para qualquer um. Nós conseguimos pegar uma fatia e podemos desfrutar bem dos dotes divinos.
Amanhã rehearsearemos. Novamente com o ouro na mente. Sendo abusados, do jeito que tem que ser.
Quero tocar com eles mais uma vez! Pra mostrar que brincamos com fogo, em mares frios.

É... esse tal de Acapulco realmente não me deixa medir as palavras!

Jazz It !!


Pesquisei muito sobre o Jazz ultimamente, rítmo o qual me chamava muito a atenção, mas nunca esteve na frente da minha lista de prioridades de conhecimento acerca de música. Quando li mais sobre o estilo, descobri que eu já sabia, e muito, sobre ele.
Sendo assim, creio que Jazz signifique não apenas um estilo musical, mas todo um contexto em cima de um palco, ou em qualquer apresentação de um grupo de músicos.
A questão do entrosamento entre as partes e a química entre os artistas me chama muito a atenção. Já desfrutamos desse dote há algum tempo e posso dizer que é demasiado divertido levar algo assim, no embalo do Jazz.
Uns dizem que é estilo de vida, e eu concordo. É como se todos nós fossemos militares que acabaram de servir ao exército e retornam agora ao seu país, prontos pra ir pra casa com seus cabelos cortados e más lembranças. Mas antes de dar o próximo passo, encontramos um carro com fumaça em seu interior, onde sedutores negros nos chamam com seus instrumentos mágicos, prometendo nos mostrar o verdadeiro mundo. Então nós nos deixamos embalar pelo som, por tudo o que cerca essa palavra... JazZ ... e realmente descobrimos que o exército só serviu pra isso: facilitar a contra-posição que agora nos toma.
Quem toca isso realmente tem de se sentir... acima de tudo, imune a tudo, por que fala uma língua que poucos conhecem, mas podem conhecer.
Jazz realmente vale a pena. É a música pura e crua, tão crua que chega a ser feia em algum momento e aí é que você se lembra quem toca ela... os homens!!
Uma vez chegamos a conclusão de que o Jazz seria o pão, pois alimenta a alma. O Blues seria o vinho, mas eu ainda vou falar dele depois.
Pra mim uma das maiores criações humanas. E não é por causa de nenhum desses argumentos que eu digo isso. Mas pelo fato de poder observar que esse estilo é um dos poucos que não mudou tanto com o tempo. Permanece lá, dentro do carro fumaçante, com seus poderosos tradutores negros.